Tudo bem com vocês?
Foi, no domingo passado (10), o ultimo final de semana da exposição ''Frida Kahlo - Conexão entre mulheres surrealistas do México'', no Instituto Tomie Otake. E adivinhem? Eu estava lá e vim falar um pouco (talvez demais?) sobre ela.
Antes de começar a falar do evento em si, um pouco de contexto histórico da artista principal: Frida começou a pintar entre idas e vindas do hospital, estando várias vezes entre vida ou morte por conta do acidente que sofreu quando o bonde em que estava bateu em um trem.
Quando tinha 22 anos, se casou com Diego Rivera, igualmente artista plástico, com quem teve uma relação muito complicada. Apesar de Frida ser totalmente louca por ele, ambos se traiam. Entretanto, havia sempre a certeza de um pertencia ao outro, e que no final do dia, estariam juntos.Então, o jogo virou...
Seu amado acabou se apaixonando por sua irmã, e esta foi a deixa para o casamento acabar e um novo começar, agora, com o novo casal formado o protagonizando.
Mesmo com o fim do casamento, Frida não deixou sua sede de conhecimento terminar, continuando a fazer viagens como Estados Unidos e Paris. Nessas viagens, ela conheceu algumas de suas amigas, também artistas plásticas, como María Izquierdo e Lola Álvarez Bravo que acabaram fazendo parcerias e trabalhos com ela, assim conhecendo cada vez mais a cultura latina e expressando-as em suas pinturas.
Acredita-se que seu trabalho mais conhecido seja seu quadro As Duas Fridas - 1939.
A exposição propõe diálogo entre um grupo de mulheres artistas mexicanas e estrangeiras veiculadas ao surrealismo, que gira em torno de Frida Kahlo como detonador de uma série de influencias e movimentos geográficos na Europa, Estados Unidos e México. A maioria delas nasceu e trabalhou no México, onde se conheceram e dividiram mais do que a amizade, mas também a vontade de resgatar a cultura de sua terra natal. Remedios Varos e Alice Rahon- que descobriram a incrível cultura mexicana por intermédio de Kahlo- fugiram da guerra em Paris e se exilaram lá.
| Autorretrato.Rosa Rolanda(1895-1970) |
''Mulher saindo do psicanalista '', de Remedios Varos, me deixou mais que intrigada; duas faces, uma cabeça pendurada e um cesto com varias coisas. Consegui entender que, a cabeça em sua mão, pendurada por o que aparenta ser seu cabelo, é um problema que ela conseguiu tirar da mente logo depois de sua consulta, e prestes a jogar no poço, se livraria dele.
''Natureza Viva'', de María Izquierdo, coloca quatro coisas muito diferentes em uma pintura só: o deserto, caatinga, aparentemente, frutas e legumes bons, uma parede e uma concha. Sem contar o ovo meio escondido perto do rabanete. Eu fiquei, juro, uns quinze minutos observando-a, tentando ver um ponto, uma linha, uma palavra ou figura que os interligasse. Mas vi depois que elas não eram o que eu precisava; no meu ponto de vista, a paisagem deserta representa uma estrada difícil de se atravessar, a parede representa o fim dela, e as frutas e legumes representam que até quando a esperança acaba, pode existir(e há) uma luz no fim.
E os dois melhores quadros da protagonista, Frida Kahlo.
O quadro a esquerda, ''Frida Kahlo vestida de Tehuana'', a mostra usando as roupas tradicionais de mesmo nome, ligada a alguns fios brancos e a raízes de sua coroa de flores. Também é representado Diego Rivera em sua testa, uma forma de dizer que tudo que ela conseguia pensar era nele. Como nada não havia nada na mostra que nos contasse um pouco sobre e que período da artista tal quadro foi pintado, ou como ela estava se sentindo ( o que foi um imenso erro) e a internet não consegui achar essas informações na internet, não posso falar com certeza, mas parece ser uma imagem retratada antes de seu casamento. As vestes brancas remetem a algo puro, até como uma santa, e as raízes que saem das flores em sua cabeça, muito próximo de onde esta seu amado, me fazem pensar que ela tentou dizer que a paixão é algo primitivo, que te leva de volta para as raízes da humanidade.
O quadro a direita, '' O abraço da natureza'', é bem alto explicativo, como a maioria de suas obras parecem ser, mas são bem complexas, para falar a verdade. Essas são, provavelmente, as mais fáceis de se interpretar. Mas, vocês devem estar se perguntando ''O que esse bebe gigante esta fazendo no colo da Frida?''. Esse, novamente é seu esposo. É falado que Diego era muito dependente dela, apesar de não ser ele quem tem diversos problemas de saúde. Há uma citação de Frida onde ela diz: '' Diego, houveram dois grandes erros na minha vida: o bonde e você.Você foi sem duvida o pior deles''.
Agora, já no fim do evento, eram apresentados quadros com um significado místico e mágico, como ''A mágica'' de Sylvia Fien(esquerda), e ''Minotauro'', de Remedios Varo(direita). Na minha opinião, estes eram os quadros mais bonitos , bem lúdicos e cheios de detalhes, me enchiam os olhos.
E bem na saída, eram expostas roupas de Frida Kahlo. Roupas muito festivas , comorando a cultura asteca, como ela mesmo desejava. Estavam lá também roupas retratadas em quadros, como a de ''As duas Fridas'' e ''Frida vestida de Tehuana''.
Na minha opinião, essa exposição foi uma experiência única, desde as pessoas com quem conversei por lá, até ao significado do ato de divulgar mais coisas que fazem parte da cultura brasileira também para nós. As exposições mais recentes tem vindo da Inglaterra e Holanda, então foi bom saber mais sobre o o que se entrelaça conosco.
Qual foi a ultima exposição que você visitou? gostou? Deixe nos comentários!
Até a próxima,
Duda.

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