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quinta-feira, 24 de março de 2016

[Resenha] Cinco Graças (Mustang)


Olá fulanos e ciclanos,
   Tudo bem com vocês?
   No último final de semana, fui ao Cine Belas Artes, afim de sair da chatice de todo domingo. Fui ver o filme 'Cinco Graças', esperando um filme bonitinho, irmandade, leve, mais ou menos do jeito que o trailer apresentava e... Eu não podia estar mais enganada. 
   Já quero falar que  o conteúdo abaixo contém spoilers, sim, mas bem fracos, nada que irá destruir sua experiencia caso ainda não tenha visto.  
   O filme originalmente titulado 'Mustang' foi dirigido por Deniz Gamze Ergüven e produzido por Charles Gillibert, é uma coprodução da Alemanha, França e Turquia. Foi representante da França na tentativa de ganhar o Oscar de 2016.
   Ambientado na Turquia, conta a trajetória de cinco irmãs criadas por seu tio e avó, vivendo uma vida normal; indo a escola, mexendo na internet e etc. Porém, um dia, o tio decide que acabou a festa; elas vão ter que casar. E assim, acompanhamos o casamento de cada uma, tudo narrado do ponto de vista da irmã mais nova, Lale.   




 
   Tudo bem, muita calma nessa hora. Tudo nessa produção foi uma grande surpresa. Primeiramente, as meninas não são completas vítimas. Elas defendem uma a outra e mostram claramente que não estão de acordo com as coisas que foram impostas a elas, mas só o que as resta é engolir e lidar com tudo aquilo. E na verdade, os casamentos delas até que não são o pior, nenhuma sofre agressão (ou pelo menos não aparenta) e vira uma maquina de produzir crianças.
   Gostaria de dar destaque para duas coisas: O roteiro e a irmã mais nova (Lale). O roteiro não trabalha tão bem quanto poderia nem o tio nem a avó das garotas, mas se encaixa muito bem no filme, de forma que esse desfalque não influencie demais. Apenas  influencia no aspecto de não ser possível desenvolver qualquer afeição pelo tio.  
   Agora, a Lale. Mesmo que bem nova, a atriz
(Gunes Sensoy) se saiu muito bem. 
   Essa garotinha foi o quem deixou o filme engraçado, as cenas em que ela aparecia sempre tiravam um pouco da tenção que ali havia, sem contar os diversos comentários ‘’maldosos’’ que ela faz durante o filme. Por exemplo, quando a vizinha as dedura para a avó, ela corre para tirar satisfação com ela e fala : ’’Não é só porque você fica trancafiada dentro de casa e usa roupas cor de merda que precisa nos fazer usa-las também!’’. Dispensa comentários.
   A história de cada uma das cinco é muito tocante e engraçada de um jeito sutil, delicado, criar empatia com as protagonistas quase é automático. Até porque é algo que todos nós sabemos que acontece; milhões de garotas são obrigadas a deixar os estudos e a infância para se casarem com sujeitos que elas nunca viram na vida e cuidar de filhos que não deveriam ser delas. A mobilização que esse filme traz é tão relevante e tão mal divulgado; filmes como esse não passam na maioria dos cinemas, como o UCI e Cinemark. Filmes, em geral, que trazem à tona o empoderamento da mulher e a relevância delas como civis, são deixados de canto. A não ser que você faça uma pesquisa um pouco mais aprofundada, ou o elenco seja de grandes nomes (no caso de As Sufragistas, com a Meryl Streep e Helena Bonham Carter) ou que aquela sua amiga feminista te de um toque, não é comum ver um filme em que a igualdade de gêneros é o assunto principal sendo divulgado igual Deadpool ou Batman vs. Superman.
   Com uma mensagem importantíssima a ser transmitida e um plot que a comporta de um jeito que esta não se torne massiva, Cinco graças é um filme que vai conquistar seu coração e suas lagrimas nos primeiros cinco minutos de filme. 
 


Até a próxima sessão de cinema. :)