Vemos que de algum tempo para cá, muitas meninas estão se tocando de que não precisam que ninguém as salve, de que ficar esperando um homem para que sua vida comesse é uma besteira gigante, e que elas podem sim fazer o que quiserem por si só. E claro,como ninguém tem um pensamento sem uma referencia, as pequenas também tem, e essas são geralmente princesas. Com toda essa mudança de cultura em questão de respeito à mulher, as princesas mudaram também, e a que mais fizeram sucesso foram as irmãs de Frozen, Elsa e Ana. Também existem a Mérida que lutou por sua própria mão a Mulan,que se vestiu como homem para lutar na guerra(apesar de todos esquecerem que sim, a Mulan é uma princesa!) .
Apesar de mostrarem que podemos fazer tudo o que queremos e quando queremos sem homem nenhum, não há uma que mostre que podemos fazer tudo isso, e ainda ter uma mulher ao seu lado. E é aí que Janaína Leslão veio nos salvar.
Muito simples e fácil de entender como um livro infantil deve ser contado, publica-lo não foi nada fácil. Depois de cinco anos com o projeto em mãos sem ter a aprovação de nenhuma editora (obrigada, pensamentos dignos da família tradicional brasileira!), e necessitando de um cartunista, ela recorreu ao Catarse, um site que expõe trabalhos com a função de arrecadar fundos para tê-los realizados, e não só conseguiu sua meta como o triplo dela, podendo assim, publicar outro livro chamado Princesa Joana, que fala sobre um príncipe chamado João, que em determinado ponto da sua vida, decidiu que queria ser a Princesa Joana.
Vocês já imaginaram como essas folhas escritas e desenhadas com esta história de amor vão mudar diversas vidas? A vida do pai homofóbico pode virar de cabeça para baixo quando seu pequeno filho vier correndo com o livro em seus braços na mão, pedindo com toda vontade para aquele ser o livro lido na hora de dormir. A vida de uma mãe que não conseguia explicar a relação com sua esposa para sua filha, agora tem a resposta de bandeja. Sem contar o avanço que irá acontecer na literatura infantil brasileira; antes, tínhamos apenas o Ziraldo para nos contar historias sobre cores e como com cinco ou seis retas é fácil fazer um castelo(que descolorirá).Não quero tirar nenhum crédito dele, longe disso, mas ele já se disse contra as causas LGBTs e afins. Agora, temos conteúdo que trate de assuntos reais que, um criança talvez só aprenderia na sua adolescência, e até lá, já teria sido ensinada a odiá-la sem nenhuma causa! Sem falar que, como a ilustração já coloca, a pessoa negra da obra não esta no lugar de serviçal, e sim no lugar de autoridade suprema, deixando bem claro que a coloração de sua pele não determina nada.
São tantos avanços que esse livro vai trazer a longo prazo, tanto a nossa cultura- machista e conservadora, até o momento- quanto internacionalmente; é o PRIMEIRO de todos os contos de fadas a retratar um romance entre duas mulheres. E é brasileiro. Uma pontinha de esperança até sobe <3
É possível achar mais informações sobre o livro na página do facebook, a data de lançamento é 17/12/15.
Obrigada pela atenção, e até a próxima,
Duda.
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